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Infarto: conheça seus mitos e verdades

8 setembro 2011

O infarto do miocárdio, popularmente conhecido como ataque do coração, acontece em decorrência do entupimento agudo de uma artéria do coração por um coágulo, ou seja, uma placa de gordura que se deposita na parede da artéria, dificultando a passagem de sangue, propiciando a formação de um coágulo em determinado instante que bloqueia a circulação sanguínea.

Com a diminuição total ou parcial do fluxo de sangue na artéria coronária, que nutre o coração, a área afetada sofre uma injúria irreversível, provocando alteração da função, que pode causar morte súbita ou insuficiência cardíaca, o que limita a capacidade física do paciente. No Brasil, segundo estimativa do Ministério da Saúde, ocorrem cerca de 900 mil infartos por ano, provocando cerca de 300 mil mortes anualmente. Muitas mortes ou sequelas irreversíveis poderiam ser evitadas, se o infartado recebesse os primeiros socorros de maneira adequada.

As maiores vítimas costumam ser os fumantes, hipertensos, diabéticos, pessoas com altos níveis de colesterol ou com antecedentes de familiares próximos que tenham sofrido um infarto antes dos 55 anos. O principal sintoma do infarto é a forte pressão no peito ou nas costas, que demoram a ir embora e começam a se espalhar pelos ombros, braços ou pescoço. Os cardiologistas usam a máxima “dor acima do umbigo é sinal de perigo”.

A dor no peito geralmente vem acompanhada de suor, tontura, náusea, sensação de plenitude gástrica e falta de ar. “Ao surgirem os primeiros sintomas, procure socorro imediatamente”, orienta o Dr. Helio Castello, diretor da Angiocardio e coordenador do Centro de Hemodinâmica e Intervenções Cardiovasculares do Hospital Bandeirantes (SP). Caso esteja com alguém que apresente esses sintomas, mantenha a pessoa calma e aquecida. Salvo orientações médicas, não lhe dê nada de comer ou beber. Desde que a pessoa não apresente dificuldades para engolir e não seja alérgica, dê-lhe um comprimido de aspirina, que ajuda a prevenir coágulos sanguíneos. “Se a vítima desmaiar, verifique sua respiração e seu pulso. Na ausência desses sinais vitais, comece imediatamente os procedimentos de primeiros socorros e peça parar chamar o serviço de emergências”, aconselha o médico.

Estes procedimentos básicos de atendimento de emergências cardiovasculares podem ser aprendidos através de treinamentos específicos disponíveis em grandes centros médicos do país. Não tente transportar a pessoa desfalecida, pois ela corre um grande risco de morrer durante o trajeto para o hospital. O melhor a ser feito é afrouxar suas roupas e mantê-la em posição confortável.

Mitos e verdades sobre o infarto:

Como em qualquer assunto de grande repercussão, existem alguns mitos sobre o infarto que precisam ser desmistificados, tanto para salvar vidas, como para manter-se melhor informado.

Mitos:

• Infarto ocorre apenas em quem fuma – não é verdade, porém vale salientar que os fumantes têm muito mais chance de desenvolver esta doença.
• Quem teve um infarto fica incapacitado para toda a vida – mentira – hoje temos tratamentos eficazes para se propiciar uma boa qualidade de vida para estes pacientes, porém é importante que os cuidados iniciais sejam tomados muito rapidamente, pois “tempo é vida”.
• A maioria das pessoas que sofre Infarto morre – mentira – felizmente devido a evolução tecnológica e padronização de condutas, com atendimento rápido e eficaz, incluindo o desentupimento da artéria coronária acometida com cateterismo (angioplastia e implante de pequena prótese – Stent) quando realizado nas duas primeiras horas do início do quadro leva a sobrevida de mais de 90%, com boa qualidade de vida.
• As pessoas que tiveram infarto com tratamento adequado estão curadas e não precisam mais acompanhamento – mentira – recentemente houve um estudo clínico no INCOR que mostrou que os pacientes com mais acesso a cuidados ambulatoriais têm evolução melhor a longo prazo.

Verdades:

• As vítimas de infarto podem ajudar a si mesmas tossindo com força repetidas vezes. Basta inspirar antes de tossir profundamente, como se fosse expelir catarro do peito e repetir a seqüência inspirar/tossir a cada dois segundos, até que chegue o socorro ou o coração volte a funcionar normalmente.
• A inspiração profunda leva oxigênio aos pulmões e a tosse contrai o coração, fazendo com que o sangue circule. A pressão da contramão do coração, também o ajuda a retomar o ritmo normal.
• Segundo estudo do Instituto Karolinska, da Suécia, publicado pelo New England Journal of Medicine, os casos de infarto aumentam cerca de 5% na semana seguinte ao horário de verão, principalmente nos três primeiros dias.
• Para o pesquisador envolvido no estudo, Imre Janszky, a hora de sono perdida e as consequências que a falta de sono traz ao organismo, são as explicações mais prováveis para o aumento dos casos.
• O melhor tratamento para o infarto é o cateterismo cardíaco seguido de angioplastia que deve ser realizado nas primeiras horas, com índices de sucesso maiores que 90% (diretrizes da SBHCI – www.sbhci.org.br).